“A terra arde!”, gritou, a encher mais um copo de whisky.
Vivia num mar de ilusões, em que cada palavra era um peito,
e o toque, o caminho já aberto,
de beleza a mais para a doença do seu jeito,
de ser o pequeno destruidor de cada aurora, “quase já perto”.
“Lá vem ela”, pensou, com mais uma cega critica de atado,
de como tudo era melhor no passado,
gritando, “ Não vales nada”, sem saber,
como dói viver, sem ver o que ser.
“Nascemos tarde demais para ver os Nirvana”, diz ela,
“Praticamente perdemos tudo pelo que valha pena viver”, e o pior ele concorda.
Aqui vamos nós para fim da civilização ocidental,
desesperados por sentir algo, qualquer coisa que valha a pena,
que nos atiramos uns nos outros, fodendo os nossos caminhos,
até cairmos numa cama qualquer, deixando arder.
Tiago Lourenço
Escrito 15/5/2011